Benzeno não é flor que se cheire

A falta de conhecimento em relação aos perigos do Benzeno (e do benzenismo) e, principalmente, às obrigações da empresa leva muitos trabalhadores a se colocarem em uma situação mais arriscada ainda do que é o fato de trabalhar em uma área onde há produtos que contêm corrente de benzeno.

Desde o início do ano ocorreram na Replan sete vazamentos de produtos com corrente de benzeno, sendo que um deles foi escondido pela empresa, isso é alarmante, uma boa manutenção preventiva resolveria muitos casos e com certeza alguns desses acidentes teriam sido evitados.

O benzeno é um produto tóxico, nocivo à saúde, é acumulativo, ou seja, a cada vazamento em que a pessoa está exposta ela pode estar acumulando um teor de produto em seu organismo, que não produzirá efeito imediato, porém em alguns anos pode levar a pessoa à morte, por leucemia, por exemplo.

Às vezes isso pode parecer trágico, ou até ter conotação exagerada, mas o relato da esposa do operador Roberto Krappa, companheiro da RPBC, operador da área de ETDI, que em 20 dias, a contar do início dos sintomas, veio a falecer, deixando dois filhos, é uma prova contundente dos perigos deste produto e dos cuidados que devemos ter.

Desde a morte do trabalhador, sua esposa trava uma luta constante com o INSS e a Petrobrás para ver reconhecido os seus direitos, mas a empresa se nega a admitir que a causa da doença fosse a exposição em seu local de trabalho, apesar de os médicos da previdência não terem dúvida que o caso de Roberto é típico de benzenismo.

Na Replan há alguns hemogramas e transtrans mucônico (exame de urina) com alterações, não estamos dizendo que se trata de benzenismo, mas é importante que os companheiros que forem convocados pela empresa para refazer os exames não vacilem façam, e peçam ao médico a sua série histórica dos hemogramas, peçam os resultados dos exames, e procurem o Sindicato para marcar uma consulta grátis com o médico da entidade.

Em caso de vazamentos de nafta, gasolina e petróleo, liguem para a direção do Unificado, exijam o cumprimento do que está no Acordo Nacional de Benzeno, ou seja, a realização de exames que buscam a monitorar os trabalhadores expostos ao produto.

O Unificado já encaminhou pedido para a Fundacentro e órgãos do Ministério do Trabalho de visita à refinaria, esperamos com isso exigir que a Replan faça a sua parte, a nossa luta é pelo reconhecimento da especial.

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