O relato da viúva da Roberto Krappa


Em 14/09/2004, Roberto Viegas Krappa, operador de transferência e estocagem do Etdi na RPBC de Cubatão apresentou lesões na mucosa bucal e sangramento espontâneo da gengiva, além de petéquias nas pernas (pontos vermelhos), pediu para ser levado a RPBC, onde deveria haver um médico de plantão, mas este não estava lá. Ele nos relatou que tinha havido vários vazamentos e que estava com medo de ter sido contaminado. Foi atendido pelo perito da odontologia que mal examinou a boca dele.Saindo de lá fomos a um médico, que pediu vários exames de sangue. Após algumas horas recebeu o telefonema do laboratório pedindo que se dirigisse o mais rápido possível a um hospital, pois suas plaquetas estavam em 4.000, quando o normal varia de 150.000 a 450.000.

Neste momento começou sua luta pela sobrevivência.

Levado a um hospital local foi internado imediatamente. Feitos vários exames não conseguiram debelar as hemorragias, oriundas da leucemia, no dia 17/09/2004 foi transferido para a Beneficência Portuguesa de São Paulo onde soubemos que se tratava de Leucemia pró-mielocitica aguda LM3, leucemia esta causado por produto químico (benzeno). Esta leucemia é altamente hemorrágica e na maioria das vezes fatal. Roberto morreu no dia 05/10/2004.

Ele havia sido afastado por espécie 31 NB 133. 926. 616 – 1 (auxílio doença previdenciário); após o óbito, através do convênio Prisma, foi concedido beneficio pensão por morte previdenciário em 25/10/2004.

Em 16/11/2004, a CAT foi emitida pelo Sindipetro, junto com a DRT/SP, na pessoa do Dr. Danilo Costa descrevendo a natureza da lesão “Leucemia por exposição a Benzeno”.

Em 22/02/2005, a chefia do Gebenim, por meio da Dra. Adalis A. Lopes Soares reconheceu e aceitou a CAT. Em 31/03/2005 foi convertida para espécie B91 (auxílio doença por acidente de trabalho) por Cubatão.

Pedimos a revisão do benefício para que pudesse ser transformado de previdenciário para acidentário, visto que, a CAT havia sido aceita pelo INSS, pela Dra Adalis.

Este pedido precisou ser feito através do posto Prisma, que fica dentro do prédio da Petrobrás, na Av. Paulista, onde passou por um perito do INSS que ficava dentro do próprio prédio da Petrobrás. Em 14/10/2005, nos foi negado provimento, ou seja, a pensão continuaria sendo por morte previdenciária. O perito do INSS foi contra a sua colega, chefe do INSS de Santos, lembrando que ele realizava seu trabalho no prédio da empresa.

Entramos com um contra recurso e em 29/11/2005, foi concedido o beneficio acidentário pelo INSS ao Roberto, beneficio N° 133.926.616-6 (B -91) (auxilio doença por acidente de trabalho). Para existir a transferência do benefício à família é necessário que haja a transformação de beneficio ao funcionário, mesmo que ele já esteja falecido.

A Petrobrás ao mesmo tempo pede a extinção do B-91, junto ao INSS.

Havia, assim, dois processos administrativos junto ao INSS; um da família, pedindo a transformação do beneficio e outro da empresa pedindo a extinção do mesmo.

Em 10/10/2007 foi mantido o B-91, negando o pedido de extinção pela empresa. Por unanimidade reconheceram o acidente de trabalho através da 13ª Junta de Recursos e, em 17/03/2009, também nos foi concedido por unanimidade o acidente de trabalho.

Enfim, foram dois processos com o mesmo resultado, porém não se cumpre de fato a transformação do benefício.

Entramos também com uma ação contra a empresa na esfera trabalhistas onde tanto o perito da família, quanto a perita nomeada pelo juiz concordam com o acidente de trabalho. O juiz julgou e pediu que a empresa indenize nossa família pela morte do Roberto.

A luta ainda é grande, mas não desistirei. Empenho todo o meu conhecimento na área da saúde para que nenhuma empresa lese seus funcionários mesmo que sem intenção, visto que, para ingressar nas empresas as pessoas precisam estar em condição com seus exames e não é justo ficarem doentes ou morrerem frente à contaminação industrial.

O Benzeno como agente mielotóxico e cancerígeno deve ser levado a sério pelas indústrias, por seu efeito cumulativo no organismo não existe limite de tolerância para ele, algumas pessoas podem trabalhar a vida inteira e outras poucos anos para desenvolverem doenças graves e ate fatais.

Nós como família deveríamos ser amparados pela empresa, o que não somos, meus filhos além de perderem o pai que tanto amavam, perderam subsídio econômico e escolar, visto que, foi cancelada a bolsa escola fornecida pela empresa enquanto o pai era vivo, além de passarem por tratamento psicológico para enfrentar a perda, tornando - se seres marcados desde a infância.

Enquanto isso, nós da família ainda estamos esperando por uma vida digna e justa, pois a Vida Humana é mais importante que o lucro.

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