Sindipetro PE/PB denuncia a Refinaria Abreu e Lima


A lista de polêmicas relacionadas à Refinaria Abreu e Lima (Rnest) parecem não ter fim. Desta vez, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo de Pernambuco e Paraíba (Sindipetro) denuncia o sucateamento dos equipamentos de segurança e de contenção do gás benzeno – altamente cancerígeno – nos tanques de armazenagem da nafta petroquímica. A emissão do poluente, sem o controle adequado, estaria pondo em risco a saúde dos funcionários e, de acordo com a entidade, pode ser levado pelo vento e prejudicar as comunidades do entorno.

Os sistemas de contenção dos gases emitidos a partir do beneficiamento da nafta, um dos derivados do petróleo, fazem parte do projeto. Contudo, desde a partida da planta de refino, no fim de 2014, pelo menos três tanques estariam funcionando sem a ativação desses sistemas.

“A Petrobras diz que a utilização dos equipamentos depende de novos investimentos. Fizemos a denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) no mês passado porque sabemos que a substância é tóxica e há muitos trabalhadores expostos ao poluente”, explicou o coordenador geral do Sindipetro, Rogério Almeida. O MPT ainda não emitiu parecer sobre a questão.

O benzeno é uma substância que ataca o sistema nervoso central e, em casos extremos, pode causar câncer, diz o engenheiro químico especialista em emissões atmosféricas, Marco Antônio Carlos. “Depende da concentração, que deve obedecer a normas internacionais”, aponta. “O maior risco é para o funcionário porque, como a Rnest está instalada em uma área próxima da praia e com muitas reservas de matas, ela pode se dissipar”, considerou.

A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) disse que recebeu a denúncia há três semanas e, desde então, “vem reforçando as fiscalizações, mas ainda não identificou vazamentos”, mas não detalhou os limites aceitáveis de emissão de benzeno, nem os níveis verificados na Rnest. A CPRH também monitora outras emissões na Rnest, que ainda opera sem a sua Unidade geral de Abatimento (Snox), cujo processo ainda não foi concluído.

O Sindipetro também apontou outros problemas que põem em risco a integridade dos trabalhadores. Entre eles, a falta de equipamentos de emergências. “Em um pequeno incêndio na vegetação do terreno, foi preciso acionar os bombeiros porque, das onze viaturas de combate a incêndio da Refinaria, cinco estão indisponíveis”, contou Almeida. Ainda segundo o sindicato, cinco dos seis equipamentos de suprimento de Ar Respirável também estariam quebrados e há apenas uma viatura de resgate estaria disponível.

A Petrobras foi procurada, mas não comentou as informações até o encerramento desta edição.

Fonte: FolhaPE

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