Benzeno: principais riscos e recomendações


Entenda as principais consequências da exposição ao benzeno, o que deve ser feito e quais as orientações dos especialistas


Comprovadamente cancerígeno, o benzeno também pode causar lesões neurológicas e respiratórias

Por Andreza de Oliveira


Substância associada ao aparecimento de câncer, integrante da lista dos 10 piores químicos e com alto índice de intoxicação em exposições com altas concentrações, o benzeno, apesar de não possuir uma taxa de absorção muito alta pelo corpo humano, tem seu uso recomendado em raríssimas exceções.

Dentre os efeitos imediatos, provenientes de contato com altas concentrações, são conhecidas a irritação em mucosas (como olhos, nariz e boca), edemas pulmonares, tontura, vômito, dor de cabeça, taquicardia, dificuldade respiratória, tremores, convulsões, inconsciência e morte por arritmia.


As exposições lentas e em menores quantidades tendem a provocar efeitos crônicos, como a diminuição das células no sangue e o desenvolvimento de leucemia, alteração na medula óssea, nos cromossomos, no sistema imunológico e neurológico (podendo comprometer a memória, habilidades motoras, raciocínio lógico e ocasionar depressão e insônia), alterações auditivas, oculares e, em mulheres, problemas menstruais e aborto espontâneo.

Além de casos de leucemia, registrados em diversos trabalhadores, o desenvolvimento de outros tipos de câncer como linfomas, pulmonar e de mama estão relacionados ao contato com o químico.


Tratamentos


Aos trabalhadores que foram expostos ao benzeno, exames periódicos precisam ser realizados para acompanhar os possíveis desdobramentos. Também é necessário atentar-se a alterações em hemogramas, que podem ser atribuídas à toxicidade do produto.

O diagnóstico de benzenismo – condição de alterações advindas da exposição ao benzeno – é feito após avaliações clínico-laboratoriais e constatação de ausência de enfermidades pré-existentes.


Recomendações


Como não existe nenhum tipo de medicamento que seja capaz de promover a cura da medula óssea ou evitar os efeitos do benzeno, especialistas recomendam que a forma mais segura de evitar quaisquer efeitos colaterais é não se expondo ao benzeno. Além disso, casos de benzenismo devem ser acompanhados permanentemente mesmo após a remissão.

Caso o contato com a substância seja inevitável, é preciso utilizar toda a tecnologia adequada com o recurso de equipamentos de proteção industrial (EPI) – que não eliminam completamente os riscos.



*Com informações de Arline Arcuri, pesquisadora da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro)